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Mediunidade unidade

Imagem encontrada na mensagem "Oração"
(André Luiz / "Mecanismos da Mediunidade")
no blog http://semeadorespirita.blogspot.com.br/
A lucidez se amplia
No tempo calmo
Da hora clara.

Há uma luz que arrepia
Dos corações à Mente Maior
Farta, como lenta.

E a inspiração flui
- da vigília -
Num texto,
Numa fala,
Numa cura,
Numa visão,
Num sentimento...
Sem tempo nem espaço
A cada passo
Em que se acerta,
da unidade em Deus,
A mediunidade.

Sentido, história e comunicação

É transcendental e dialético* o sentido que seguimos enquanto o buscamos, num processo-criação chamado cultura. Processo é comunicação.

É real e metafórico* o que construímos através da tensão dialética em nossas culturas. Diálogo é comunicação.

A cultura determina as formas de poder. Quem tem poder transmite o sentido. Quem sente, dialoga, provocando tensão, e cria cultura:
- O poder dos senhores feudais se sustentara na posse da terra até que as fronteiras se desfizeram no ar (Marx);
- O embate moderno entre a classe trabalhadora e a classe dominante detentora dos meios de produção encontrou a tecnologia e o simbolismo provocando uma possível mudança estrutural (Wolton);
- A globalização, com os meios de comunicação no centro de seu esquema de poder, já emerge propondo sua tensão: entre o global e o local (Hall).

Falamos aqui de Idade Média, Moderna e Pós-Moderna, com a premissa de que não passam de terminologias teóricas formadoras passíveis de complementação e reorganização, principalmente no que tange à última.

A linguagem (Saussure) é a parte do processo comunicacional que nos transporta para o meio simbólico, onde mora o poder. Mesmo que seja construído socialmente na realidade, a forma do poder quem dá é o mito, é a linguagem, é a comunicação.

O quadro atual é de uma aparente oposição entre duas tendências da globalização: a homogeneização cultural e a resistência pela reafirmação do local. Se considerarmos como aliadas, faremos dialogar o já ditado "pensar global e agir local", num hibridismo (Canclini) que produz novas culturas.

Num sentido que é caminho, encontramos um sentido que é significado e devemos promover um sentido que é sentimento. "E o amor é o requinte do sentimento" (Lázaro, Paris, 1862). Mesmo que sendo mais um desses sentidos, a comunicação como diálogo compactua e incita essa sublimação: fé, arte e razão.

Apenas mais um ensaio que representa como esses conceitos se conjugam em mim, sem compromisso com métodos ou linhas de pensamento.

* Citações do comentário deixado na postagem anterior pela Dona Deusa (Sílvia Goulart) do coletivo de arte A Negra Ama Jesus.

Homem faz mundo faz homem: que faz mundo e homem?

O homem constrói sua própria história, mas não como quer, pois a recebe como herança do passado (Marx). E, no começo: o acaso fez o mundo ou algum homem o quis como o recebemos? Ou não houve começo? A dedução – para esta pequena e viajada questão magna e outras mais – é sempre um exercício primeiro de reflexão, por mais que métodos se fixem para neutralizar a interferência de quem se coloca como leitor de mundo.

O movimento que fazemos para existir é sempre o de construção da realidade. O homem é o lobo do homem (Hobbes). Quem faz as instituições são os homens, mas são elas as responsáveis pelos homens. Isso gera a dúvida da ação que corporifica as instituições, sobretudo o Estado.

Quem é o responsável por agir: o homem ou o Estado? Este último é criação política do primeiro. Só pode ser, de fato, o movimento dialético de ação e reflexão sucedido de nova ação para reflexão do homem no Estado, a solução.

Quanto maior a autonomia conquistada, quanto maior o empoderamento, melhor se constrói um Estado para coordenar a sociedade que, constituída por estes mesmos homens, saberá a melhor lida. A responsabilidade tem o tamanho do nosso conhecimento (André Luis - espírito).

O processo dialético é a cultura. Cultivando, seguimos na práxis exercida pelo homem que conhece. Em termos de sociedade, eideticamente, tudo se amplia, mas por hora basta, porque outra questão anterior me pega pela garganta que fala as ideias sobre a sociedade que me rondam: E antes? De onde veio? Não apenas ‘se pensamos’, mas por quê pensamos? E, considerando que deve haver respostas, por fim: Que rege o mundo? “Talvez é o acaso que rege o mundo. / Sem saber em quem me escorar, eu voltei a Te [Deus] chamar” (canção: Angelus - Beto Cupertino / Violins).

Espiritismo x Marxismo?

Intriga-nos a contradição entre o consolador prometido e a desesperança como estado de revolução, duas linhas de conhecimento simpáticas às minhas reflexões. Trata-se de um aspecto da doutrina espírita em conflito com um pensamento marxista.

Consolar - objetivo da doutrina espírita - é acalmar em prol da esperança. Revolucionar - pauta-mor da sociologia - é se reconhecer sem possibilidades (desesperança) para criar um novo conhecimento e sair do poço.


A menos que cursemos Teologia, na faculdade não estudamos esse conflito que, concluo, é uma correlação. A consolação enunciada pelo espiritismo difere do conformismo acusado na sociedade e repulsado pelas ideias revolucionárias de Marx. Numa brincadeira etimológica (e simbólica, não pesquisada) palpito:

- Conformismo = "Com forma mesma":
Enquadrar-se na forma mesma que já existe. É o que o marxismo acusa. E o espiritismo, ao menos, não incentiva.

- Consolar = "Com Sol no Ar":
Significa que há uma energia (sol) que ilumina e aquece no ambiente (ar). É o que Marx chama de revolução. O 'Consolador' argumenta que a barbárie não é necessária para revolucionar o ordem.

Complementam-se as duas teorias, portanto. Não se conformar e ser consolado indica um caminho de esperança pautada na ação de se reconhecer a ponto de desesperar (já sendo consolado) para promover o bem estar social, um objetivo tanto do marxismo quanto do espiritismo.

Falei asneira? Foi apenas um pensamento. Mais um ensaio.